Biografia

Baseada em textos de Ângela Magalhães e Nadja Fonsêca Peregrino/2004

corte DSC_1354       Biografia 800 palavras

       Biografia 800 caracteres  

       Entrevista

       Comentários e críticas

       Acervos e coleções particulares

       Entrevista para revista Carcara Photo Art

 

Ana Regina Nogueira nasceu em Belo Horizonte, Minas Gerais, 12/12/1948. Desde muito cedo estabeleceu fortes laços com o mundo visual. Aos sete anos admirava, na  cabeceira de sua cama, uma reprodução de Degas. Aos 11, as ilustrações de Gustave Doré para A divina comédia, presente de seu avô para sua avó, e os livrinhos de arte  moderna da coleção ABC deitaram raízes no seu imaginário e a ajudaram na aprendizagem do francês, inglês e espanhol. Aos 14 anos, fez um curso de arte com o crítico  Frederico de Morais e começou a visitar laboratórios fotográficos e a estudar a obra dos grandes fotógrafos orientada pelo fotógrafo Gil Prates, seu futuro marido, com quem  foi morar no Rio de Janeiro em 1969 e, em seguida, Paris.

Em 1972, iniciou sua carreira como fotógrafa em Paris após deixar o curso de Psicologia da Universidade Paris VII/Jussieu-Sorbonne. No ano seguinte, viajou por três meses pelos EUA e México com uma Nikkormat, onde fez as fotos de seu primeiro portfólio. Em seguida, estabeleceu-se em São Paulo e, em 1975, retornou com seu segundo esposo, o designer Paulo Crown, para o Rio de Janeiro, cidade que se tornou seu ponto de apoio profissional.

Sua trajetória como fotógrafa é reconhecida no Brasil e no exterior. Tem forte presença no meio fotográfico brasileiro, marcada por documentários de cunho autoral com temáticas como: a classe média e alta brasileira, homossexuais, religiões, medicina popular,
pescadores e turistas.

Autodidata, entregou-se com a mesma força de interesse a uma linguagem pessoal que reflete, com frequência, seu universo autobiográfico: 360°/1972-2002, Stranha strada/1974, Nus/1986, Classe média e alta brasileira/1973-2004, Olhos n’água/1991, Autobiografia em construção/1999, Noite escura da alma/1999, entre outros.

Apesar da importância de sua obra, Ana Regina Nogueira acredita que tanto a troca de experiências com outros criadores, quanto a própria apresentação conjunta do trabalho fotográfico podem tomar uma dimensão mais ampla em exposições com diferentes artistas. Por isso, procurou transformar convites para exposições individuais em mostras coletivas. Isso aconteceu em Londres, quando se tornou curadora da mostra New photographers in Brazil para a Photographers Gallery, em 1983, galeria que teve determinante papel precursor no cenário fotográfico europeu e também na Galeria Laura Alvim, no Rio de Janeiro, em 1988.

Em 1990, por sua participação ativa no movimento fotográfico e curadoria da exposição Imagens Republicanas do Arquivo Nacional, Paço Imperial, Rio de Janeiro, 1989foi convidada por Paulo Herckenhoff, então diretor do Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro, para dirigir seu departamento de Fotografia, cargo que não assumiu porque pouco depois o diretor deixou o museu.

Participou de inúmeras publicações e exposições coletivas, destacando-se as mostras: La photographie contemporaine en Amerique Latine, Centre George Pompidou, Paris, França, 1981; Turning the map: images from the Americas, Camerawork Gallery, Londres, Inglaterra, 1992; Canto a la realidade, Casa de América, Madrid, Espanha,1993 e La Utopia Amorosa,
Centro Cultural Borges, Buenos Aires, Argentina, 1996.

A artista viveu e fotografou em grandes metrópoles – Belo Horizonte, Rio de Janeiro, Paris, São Paulo, Londres, Milão e Nova Iorque – e também em pequenas comunidades: Sempre amei fotografar as pessoas. Morei em grandes cidades, mas a natureza me atraía. Assim vivi em vilas de pescadores na Grécia e em Barra de São João, no Rio de Janeiro. Em 1994, mudei por quatro anos com meus filhos para uma fazenda, em Lavras, onde acabei construindo duas casas. Assim retornei após trinta anos às origens mineiras em busca do meu eu profundo, harmonia e paz.

Após seu retorno para Minas, Ana Regina afastou-se por sete anos da fotografia voltando-se exclusivamente para trabalhos voluntários de ajuda ao próximo. Então se dedicou também a escrever poemas. Em 1999, um novo ciclo se abriu. As Nikons saíram de seu repouso. Construiu um laboratório em preto e branco e, em março de 2000, apresentou um trabalho no Festival Internacional de Fotografia Fotofest, em Houston, USA. Em junho deste ano realizou, no Rio de Janeiro, com o Grupo de Teatro Ação Criativa, um trabalho interdisciplinar foto-teatro-video.

Contratada pela Cemig e Vale do Rio Doce, durante 2002 realizou a documentação fotográfica: Funil, uma paisagem perdida, que abarca os patrimônios natural, edificado e cultural desaparecidos ou atingidos pela construção da Hidrelétrica Funil, ao sudeste de Minas Gerais. É a primeira vez, no estado, que se faz uma pesquisa de tal extensão e abrangência sobre o tema. Foram criadas 11.000 imagens em cor e preto e branco da natureza, da vida das comunidades direta ou indiretamente atingidas e da formação da represa. Esse trabalho perpetuou, pela imagem, uma paisagem afogada e ampliou o foco documental da fotógrafa.

Em 2003, realizou a individual Autobiografia em construção, no Centro Cultural dos Correios, no Rio de Janeiro, durante o festival de fotografia FotoRio. Fez seu site. Representou a fotografia brasileira na Revista Extra Câmara, editada na Venezuela e fez parte do livro bilíngue Visões e Alumbramentos, fotografia contemporânea Brasileira na Coleção Joaquim Paiva, lançado pela Brasil Connects, cultura e ecologia .

Em 2004 começou a fotografar digitalmente, fez a capa do livro A regeneração do solo e terminou seu livro de poesia Aromas de Fogo. Participou, com fotografias e entrevista, do site Canto do Brazil do fotógrafo americano Geoffrey Hiller, com quem fotografou o carnaval nas cidades históricas mineiras. Fotografa a vida cultural e a natureza do sul de Minas e do Vale das Vertentes, vende fotografias do seu acervo particular a colecionadores de arte, dá palestras sobre seu trabalho e dedica-se a atividades voluntárias fotografando a natureza e plantios em comunidades-luz. Sempre revelou, ampliou e editou suas criações analógicas e digitais.

Em 2017 a fotógrafa concedeu uma entrevista a revista internacional Carcara Photo Art que pode ser acompanhada acessando o link.